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A idade certa para uma criança ter celular

Celular & Crianças

Existe idade certa para a criança ter o primeiro celular? O Pais em Apuros foi atrás da resposta para você e conta o que descobriu neste post. Confira!

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Atualmente existe um consenso que considera a relação “familiar” das crianças com a tecnologia algo natural. Assim como os peixes já nascem sabendo nadar e desconhecem o que é a água, crianças já nascem sabendo utilizar tablets, celulares, jogos eletrônicos, e não param pra pensar o que é a internet. Para um jovem e uma criança que nasceu após os anos 2000 a internet e os smartphones são como a energia elétrica e a água encanada para as gerações anteriores. Algo que sempre existiu desde que se conhecem por gente, por isso natural.

 

Prodígios tecnológicos?

Mas existe um equívoco no tocante a inteligência que muitos atribuem a essa nova geração, que já nasce “sabendo” usar um touchscreen. Muitos pais e mães ao observarem seus filhos com seus ávidos dedinhos tocando as telas de tablets e smartphones se veem maravilhados: “Como é inteligente esse meu bebê!!!”.

Inteligente sim! Mas nem tanto!

Crianças de 2 a 12 anos aprendem, sobretudo, por repetição e influência. São duas fases distintas: causa e efeito e heteronomia. Na primeira ainda bebês, as crianças aprendem que toda ação tem uma reação. Na segunda aprendem, sobretudo, observando o seu entorno e replicando o que veem.

Logo, o seu bebê quando explora o smartphone descobre que ao bater (clicar) um dedinho na tela, algo acontece. E de repente se ao invés de bater o dedo, escorrega-lo pela tela, se depara com outro resultado, a imagem muda. E bebês são capazes de ficar horas nessa atividade com os dedinhos. Assim os bebês aprendem. Tentativa e erro.

E ao ficarem mais velhos e embarcarem na fase da heteronomia, as crianças começam a observar atentamente o seu redor. Sabe a velha frase de que “crianças são como esponjas”, então, é verdadeira. Coloque uma ao lado de um adulto que não desgruda do smartphone ou do tablet e ela rapidamente passará a observar e absorver a maneira como o mesmo utiliza o aparelho. E uma vez que esse aparelho seja deixado em suas mãos, a criança com sua habilidade desenvolvida nos primeiros anos de vida de tentativa e erro, causa e efeito, mais as horas, dias, meses observando um adulto com o aparelho, passará tranquilamente a interagir com o smartphone ou tablet.

Por isso a admiração da geração X (nascidos nos anos 60/70), bem como as anteriores a ela, pela nova geração, devido a sua habilidade com gadgets eletrônicos é um tanto ingênua. A expertise da nova geração para dominar uma tecnologia é a mesma que esteve presente em todas as gerações. Só que os mais velhos a utilizaram para aprender a folhear revistas.

Talvez a única grande vantagem dos mais novos sobre os mais velhos nessa questão seja apenas a fluência, a naturalidade. Como um smartphone é algo comum para elas, as crianças mexem nele sem medo. Já a maioria dos adultos como cresceu sem acesso a tablets e celulares, tem medo de desregular, “estragar” suas formatações. Querem fazer um curso ou que alguém lhes ensine. Já a geração mais nova é do time “faça você mesmo”. Aprendem por conta. Mas não se engane, para isso erram bastante. Afinal, é comum ver pais reclamando de filhos que desregularam tvs, ou que formataram ou apagaram algo importante de seus celulares. Resumindo, crianças são exploradores sem medo da tecnologia, não gênios.

Mas e o celular?

A nova geração rapidamente domina aparelhos como um smartphone, e então passam a querer um. Devido a fluência das crianças com o telefone muitos pais tem presenteado seus filhos com eles. Já que é natural para eles, é natural presenteá-los com os mesmos, pensam. Pois é, mas não deveria ser assim. Não é por que um adolescente sabe andar bem de kart que você dá um carro popular para ele. Funciona da mesma maneira com celulares e crianças.

#UsarBemPegaBem

Recentemente a empresa de telefonia Vivo promoveu um debate interessante sobre celulares e crianças, com a psicóloga infantil Daniella Freixo, idealizadora da série de vídeos Conversa com Criança, e a especialista em cultura digital Bia Granja. A chamada para a conversa das duas era a seguinte:

“Celular dá muita liberdade e independência para uma criança. Se bem que…o celular…dá muita liberdade e independência para uma criança.”

Dominar o smartphone é fácil. Mas pode ser perigoso.

Crianças são espertas e inteligentes, mas na primeira infância, e também na chamada primeira fase do fundamental, são muito suscetíveis a influências externas e ainda não tem o discernimento bem desenvolvido de certo e errado. Apesar desse discernimento variar bastante de criança para criança, devido a criação que a mesma tenha tido, em geral a maioria ainda é bastante ingênua, tem aquela doçura bonita da infância. Mas essa ingenuidade não combina com responsabilidades como total acesso à internet ou ter um aparelho celular. A liberdade que o celular dispõe para uma criança na primeira infância é muito grande, podendo até mesmo ser perigosa, com ela vindo a ter acesso a conteúdos ou conversas inapropriadas para a sua idade.

 

A psicóloga infantil Daniella Freixo, sugere uma boa idade para os pais presentearem os filhos com um celular. Para ela a fase ideal é a partir do chamado “fundamental 2”, em referência ao período escolar de uma criança a partir de 11 anos.

“Quando a criança entra no sexto ano, essa criança passa a ter vários professores, começa a ter trabalhos escolares em grupo[…] Já é uma criança constituída, com uma primeira infância bem desenvolvida e certos valores o que possibilita para ela ter essa autonomia (administrar um celular)[…] além de apresentar um controle emocional e um bom senso de certo e errado”, explica Daniela.

Em contraponto a especialista em cultura digital, Bia Granja, pontua: “Na primeira infância (até 5 anos) acredito que seja importante ficar sem celular, para viver a vida lá fora (em referência a brincar, explorar o mundo). Depois disso muda. Os pais tem que ensinar bom senso, senso crítico. […] A criança vai ter acesso. Pois a vida agora é digital”, opina Bia.

Proibir, não!

Já em relação a proibição total, as duas especialistas pensam que não é a melhor escolha. Isso porque os tablets e smartphones já fazem parte do mundo das crianças. A curiosidade delas para com os aparelhos se dará naturalmente. A alternativa junto aos mais novos é controlar o uso. Adotar uma utilização assistida do smartphone. Afinal, nada mais bonito do que um netinho(a) de uns quatro anos ligar pra vó, papai ou mamãe, pra desejar feliz aniversário. Assim, ensinar a criança a utilizar o aparelho não é errado, bem como é aconselhado que jogos educativos e outros games sejam permitidos. Mas esse uso deve ser acompanhado, acontecendo em breves períodos programados afim de evitar problemas de superexposição ao aparelho.

Sendo assim, a fase mais propícia para presentear um filho com um aparelho celular é a fase da autonomia, que começa na pré-adolescência. Mas não devemos negá-lo o acesso à tecnologia antes. No final é só uma questão de confiança, autonomia e idade apropriada para assumir responsabilidades. Assim como o pai que leva o filho menor de idade para andar de kart, você pode apresentar seu filho de maneira segura e divertida aos encantos da liberdade que um smartphone proporciona. Utilizando junto e deixando claro que um dia chegará o dia dele ter o seu próprio smartphone, assim como um dia chegará o dia que o menino do kart guiará o seu próprio carro pelas ruas.

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Autor desta Publicação
Gilmar Silva
Jornalista e educador.

Comentários

2 Comentários
  1. publicado por
    Helenice Vieira
    ago 8, 2016 Reply

    Muito esclarecedora essa matéria! Já tinha meus princípios quanto a idade correta para a criança possuir um aparelho de celular e essa reportagem reforçou ainda mais minha opinião.

    • publicado por
      João Gambini
      set 23, 2016 Reply

      Cara Helenice, boa noite. Obrigado pela visita e participação no Pais em Apuros, continue e divulgue aos amigos e familiares. Agradecemos.

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