Pais no Rolê – Butantan
Facebook Twitter Google+ Assim como as escolas têm entendido que as crianças não estudam mais como antigamente – o...
O Carnaval é a apoteose da cultura popular brasileira. A maior festa do mundo. Um desbunde de cores, alegria, confete e… as mesmas marchinhas de sempre. Pois sabe há quanto tempo o bebê da composição “Mamãe eu Quero” pede a chupeta para não chorar? Há nada menos do que 80 anos. Já a jardineira, da marchinha homônima, está tão triste desde 1939, quando a música foi composta por Benedito Lacerda e Humberto Porto.
Longe de querer aposentar esses patrimônios nacionais que são as marchinhas e outros ritmos carnavalescos, em pleno 2017 podemos comemorar, pelo menos, a democratização da festa. Não que o Carnaval tradicional tenha perdido o seu posto – muito pelo contrário –, mas em tempos modernos, há espaço para tudo na festa de momo.
Pois não é que em plena Paraibuna-SP, cidade pacata e de cultura tradicional, uma turma de metaleiros decidiu invadir a avenida? Pode acreditar. Como o próprio nome já sugere, a trupe do Carna Maiden sobe no trio elétrico para esgoelar, em alto e bom Heavy Metal, as músicas clássicas da banda inglesa Iron Maiden.
O bloco foi formado em 2014 pelos roqueiros da banda Ilha 13, também de Paraibuna. Desde então, todo os sábados de Carnaval a avenida é invadida por foliões cabeludos, trajando roupas pretas de suas bandas preferidas. As músicas ganham uma versão pouco mais, digamos, carnavalizada, mas sem perder a essência.
“A gente acredita que todo mundo pode se divertir no Carnaval. A ideia de levar o rock para um trio elétrico traz justamente esse espírito de que todos têm vez nesta festa. No começo as pessoas não acreditaram muito, mas com o passar dos anos a coisa foi crescendo e, em 2017, além do Carnaval em Paraibuna, também estaremos em festas nas cidades de Taubaté, São José dos Campos e Caraguatatuba”, explica.
O grupo de Paraibuna está inserido num cenário que virou tendência nos blocos das capitais. Alguns dos mais famosos cortejos carnavalescos não tocam exatamente os ritmos tradicionais da festa. Veja o exemplo de São Paulo, onde o número de blocos na rua saltou de 200, em 2014, para nada menos do que 495 este ano.
Na maior cidade do país, rola de tudo um pouco em cima do trio elétrico. O bloco Ritaleena, por exemplo, apresenta músicas da cantora Rita Lee. Já o Sargento Pimenta coloca o som dos Beatles para animar os foliões. Há ainda o To de Bowie, que leva os sons do camaleão do rock para a avenida.
Ainda em Sampa, quem preferir curtir um Carnaval sem correr atrás do trio pode marcar presença no Carnaval Punk. O festival acontece no dia 25 e reúne 24 bandas que mantém vivo o estilo que consagrou Ramones e Sex Pistols.
Em São José dos Campos o que não falta é programação para fugir do Carnaval tradicional. O Sesc São José terá show com Fafá de Belém, no dia 26, e Mundo Livre S/A, no dia 27. Nos dias 25 e 26 acontece o CarnaRock, no Hausbier. O evento conta com o hardcore do Dead Fish, no dia 26.
Outra casa tradicional da cidade, o Hocus Pocus apresenta, no dia 24, um show com o Trem da Viração, grupo de música regional de Monteiro Lobato.
Quem não quer agito nenhum, seja ele de samba, rock, axé ou marchinha, pode encontrar refúgio principalmente na Serra da Mantiqueira. Cidades como Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e o distrito de São Francisco Xavier, em São José dos Campos, são opções ideais para quem procura sossego neste feriado.
Mas se a vontade é de ir para ainda mais longe, a lista de destinos à prova de batuques é extensa. A mistura de natureza exuberante e sossego no feriado é a boa pedida de locais como Serra da Canastra (Minas Gerais), Visconde de Mauá (Rio de Janeiro) e Bonito (Mato Grosso do Sul).
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Por João Pedro Teles