Feliz Mêsversário, Antônio!
Facebook Twitter Google+ Querido Antônio, Por Mariana Claro* Mêsversário Meu bebezinho, hoje você está completando...
Eu fui pai aos 17 anos. Em setembro minha filha completa 22 anos.
Por João Leopoldo
Aproveito a proximidade do aniversário da Clara para descrever um episódio dessa cabal odisseia transformadora que foi ser pai tão jovem.
Quando resolvi comunicar aos meus colegas de classe a boa nova que havia acontecido em minha vida, para minha surpresa fui objeto de exprobração e chacota.
O universo particular do grupo de amigos com quem convivi na escola durante minha adolescência era completamente distante do meu.
Naquele momento que meu inquieto espírito acendia para as novidades, essa grossa raiz da amizade seria colocada em caloroso debate.
Tanto eu quanto eles não sabíamos nos comportar com a ideia de como a vida seria a partir de então. E sendo assim, alguns olhos desconfiados voltaram-se pra mim, sempre expressando a matemática mais negativa como resultado.
Para aqueles infantes em potencial as regras e condições de uma permanente amizade era gerido por uma alta voltagem de sentimentos semelhantes. Do contrário eu seria posto ao limbo.
Como no meu caso o laço, ou em outras palavras, a “largada” havia sido queimada, não tardou em acontecer as interrogativas perguntas mal escolhidas e besuntadas de ironia, já que a vida sempre nos engana embutindo o medo:
– E agora João? O que você vai fazer de sua vida?
Contínuas foram às indagações de braços cerrados.
– Você não tem dinheiro. Vai colocar seu filho pra vender limão no semáforo?
E como num tiro certeiro a queima roupa duramente verbal, fez-se uma ânsia libertadora que me provocou a imensa sabedoria de permanecer calado meu jovem espírito.
E para aquele confuso muro ameaçador que se ergueu cegamente diante da cabeça dos meus pares, decidi ensurdecer por anos.
O tempo seguiu descarrilado e hoje de maneira preclara e elevada mística, a arte transformadora da saudável “maldição” artística tornou minha filha uma sensível menina de olhos abertos ao invisível mundo das artes.
Uma artista in natura, espontânea e original.
E com muito orgulho e o sangue nas veias posso aplaudir em vida suas decisões e gozar de um sorriso aberto ao vê-la atuando pelos palcos da vida e até mesmo, vejam só, num semáforo, se assim ela desejar.
Lá se foram 22 anos.
E aos “amigos negativos” que a vida tratou de esquecer, hoje com a nossa música animamos as suas depressões.
Viva a arte, viva os filhos!!!!
***