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Representatividade na tela 📺🌈

Representatividade LGBT

Em Stranger Things, a série mais aclamada de 2016, nenhum personagem é declaradamente homossexual. Mesmo assim, os alunos do colégio da série ao praticarem bullying com seus colegas volta e meia questionam a sexualidade dos alvos para insultá-los. Mesmo quando o personagem Will Beyers desaparece, um menino provoca: “Ele já deve estar morto. Deve ter sido vítima de algum ‘queer’ pervertido”.

*Queer na época na qual se passa a série era uma maneira pejorativa de se referir a gays.

Representativade nos anos 80? Não existia!

Stranger Things se passa no ano de 1983 e reflete bem o preconceito da época. A segunda metade do século XX foi marcada pela construção de uma imagem péssima dos gays. No imaginário popular e na tela da tv, os gays sempre apareciam de maneira pejorativa. No melhor dos cenários eram retratados de maneira caricata, com o arquétipo do gay todo afeminado, “felizão” e espalhafatoso. No pior, eram tidos como pessoas pervertidas, acusados até de serem responsáveis pela proliferação da Aids. Todo gay no geral era retratado como um habitante do submundo. Os gays sempre foram marginalizados.

O icônico Madame Satã vivido por Lázaro Ramos no cinema. A lenda em torno do transexual carioca ajudou o conservadorismo a colar na imagem dos transexuais brasileiros a fama de “marginal”. 

Representatividade importa

Os cowboys gays em Brokeback Mountain
Jake Gyllenhaal e Heath Ledger vivem uma amizade colorida no filme Brokeback Mountain.

Nos anos 80/90 sair do armário era quase que colar um adesivo na testa de pessoa:  pervertida/marginal. Era uma tarefa árdua e uma grande batalha para os jovens assumirem suas orientações sexuais. Mas no século XXI a indústria do entretenimento e da propaganda deixou a tarefa mais fácil.

Personagens gays bem-sucedidos em novelas, filmes e séries. Atores, atrizes, cantores, cantoras, políticos e youtubers, todos assumidamente gays, deram voz e confiança para a nova geração de adolescentes se posicionar.

O ator Wentworth Miller, que interpreta Michael Scofield, protagonista da série Prison Break, é gay.
Representatividade LGBTO ator Wentworth Miller é gay. Ele interpreta Michael Scofield, protagonista da série Prison Break.

A imagem dos gays foi ajustada pela mídia. Saiu a imagem do gay como sendo alguém marginal ou pervertido, e entrou a realidade: gays são gente como todo mundo.

Representatividade - Identidade de gênero - Crianças trans - Transgênero - Especial Pais em Apuros
Representatividade LGBT – O ator Neil Patrick Harris vive um pretensioso e engraçadíssimo macho alpha na série “How I Met You Mother”, mas na vida real é gay e fala abertamente sobre isso.

Saindo do armário

Representatividade LGBT – A série Sense 8 da Netflix conta com uma atriz trans, personagens gays e muito respeito pelas diferenças.

Hoje, felizmente a realidade é outra.  Graças à representatividade. As séries e os canais do youtube que os adolescentes tanto gostam estão cheios de jovens gays incríveis.  

Por isso está cada vez mais comum observar jovens se assumindo para suas famílias como sendo homossexuais. 

Representatividade - Identidade de gênero - Crianças trans - Transgênero - Especial Pais em Apuros
Representatividade LGBT – Os atores Brandon Flynn e Miles Heizer, na série13 Reasons Why vivem um romance com a personagem da atriz Alisha Boe. Mas na vida real os dois jovens é que namoram.

Abertura e Tolerância

Representatividade LGBT– O casal de Azul é a Cor Mais Quente. Filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2013. 

Estudos recentes apontam que a nova geração é mais tolerante e até mesmo mais aberta em relação a gênero e sexualidade. Esse comportamento pode ser notado, sobretudo, na chamada geração Z (entre 13 e 20 anos).

Uma pesquisa da consultoria americana J. Walter Thompson revela que entre os jovens americanos da geração Z, apenas 48% se consideram exclusivamente heterossexuais. Já entre os millennials (nascidos nos anos 80), 65% se consideram 100% heterossexuais.

Em ambos os casos, uma porcentagem significativa de jovens revelou se identificar com características tidas como exclusivas ao sexo biológico oposto ao seu. Por exemplo: Meninos que se consideram sentimentais ou que curtem maquiagem, mas mesmo assim ainda preferem se relacionar sexualmente com meninas.

Isso acontece porque, segundo a organização Human Rights Campaign, para a nova geração o gênero é um espectro. Algo construído pela sociedade (ex: azul é de menino, rosa é de menina). E os mais jovens se sentem tranquilos para quebrar preconceitos e transitar por todo universo desse espectro. Inclusive quebrando alguns tabus como tocar colegas do mesmo sexo biológico (ex: Beijos do tipo selinho entre meninas adolescentes; Meninos que se cumprimentam com beijos no rosto).

Representatividade LGBT – O Ator, comediante e youtuber Victor Meyniel (19 anos) faz todo mundo chorar de rir.

Estranho é o preconceito

Representatividade - Identidade de gênero - Crianças trans - Transgênero - Especial Pais em Apuros
Will Beyers, o menino desaparecido da série Stranger Things

Todo enredo de Stranger Things gira em torno do desaparecimento de Will Beyers, um menino de 12 anos. Os criadores da série já esperavam que o sumiço repentino de Will iria fazer sucesso na internet, com as pessoas tentando desvendar o seu paradeiro. O que eles não previram é que muitos iriam ficar cismados com a revelação de outro segredo, que sequer está na trama: a de se Will é gay. Tudo porque em um episódio um personagem sugere que Will é “um menino diferente”. Só isso serviu para inflamar a internet. A melhor resposta partiu do próprio Will.

Noah Schnapp, o ator mirim que interpreta Will, decidiu se manifestar sobre os persistentes rumores sobre a condição sexual de seu personagem.

“Eu tenho lido coisas sobre isso há algum tempo”, escreveu Schnapp. “Eu acho que todo mundo está perdendo o x da questão […] Stranger Things é uma série sobre um grupo de crianças que não se enturmam e encontram uns aos outros porque sofreram bullying ou são diferentes. Será que ser sensível, ou solitário, te torna gay?”, questionou. “Mesmo se for o caso. Eu tenho apenas 12 anos, mas eu sei que todos nós sabemos como é ser diferente. E é por isso que eu acho que os autores escreveram a série da forma como escreveram, para vocês poderem pensar sobre isso”, concluiu.

Gay ou não, todos somos diferentes a nossa maneira. Optar pelo bullying ou pelo apoio e respeito uns aos outros é uma escolha nossa. É isso que o jovem ator quis dizer.

No final das contas, se formos encarar a vida como uma série, um personagem ou um vizinho ser gay é o que menos importa. Porque só a tolerância e o respeito às diferenças poderão nos levar a um final feliz.

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Autor desta Publicação
Gilmar Silva
Jornalista e educador.

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