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Intercâmbio na adolescência: investindo em uma educação no exterior

Deixar a casa dos pais e embarcar numa aventura em um país estrangeiro faz parte da fantasia de muitos adolescentes. Afinal de contas, quem nunca quis passar um tempo fora, vivenciando outra cultura e aprimorando o currículo? 

Conhecer novas culturas, olhar o mundo de outra maneira, descobrir novos lados sobre si mesmo e traçar novos rumos e caminhos. As vantagens de se fazer um intercâmbio são muitas e o desejo de se tornar um cidadão do mundo vem surgindo cada vez mais cedo. Na última década, muitos adolescentes passaram a optar por realizar uma parte dos seus estudos no exterior, uma vez que a experiência oferece a oportunidade de melhorar a compreensão e a tolerância em relação a novas culturas, além de ser uma forma de se aprender ou aprimorar outro idioma.

Marcela Toledo, de Taubaté-SP, trocou sua festa de debutante por um ano de High School nos Estados Unidos.

Se a vontade de ter novas experiências é comum a muitos jovens brasileiros, a consciência de que os conhecimentos adquiridos podem fazer a diferença no futuro também contribui expressivamente para a decisão de investir em uma viagem. “Eu sempre sonhei com uma festa de debutante, mas ao optar pela viagem eu sabia que eu teria que trocar a festa pelo intercâmbio. Então eu pensei melhor e vi que o intercâmbio ia me acrescentar muito mais experiências do que a festa”, contou Marcela Toledo, que, aos 14 anos, optou por fazer um ano escolar nos Estados Unidos.

O modelo de intercâmbio escolhido por Marcela foi o High School, um dos programas mais tradicionais para adolescentes entre 15 e 18 anos, no qual o jovem é acolhido por uma família do país de destino e frequenta o ensino médio em escolas públicas ou particulares. Essa experiência proporciona ao jovem uma oportunidade de conhecer outra realidade e ainda ter a chance de praticar de forma intensa uma língua estrangeira, ganhando fluência na fala e na escrita, um diferencial importante para o mercado de trabalho.

Mas, talvez, os principais benefícios do intercâmbio na adolescência sejam mais emocionais e psicológicos do que profissionais. Ao ter que se relacionar com pessoas que não são “da turma” e sem a intermediação dos pais, o adolescente acaba desenvolvendo a autoconfiança, maior flexibilidade no relacionamento humano e tolerância com as diferenças culturais. “Longe dos pais, os jovens aprendem a se cuidar e desenvolvem seus próprios recursos para enfrentar as mais diversas situações”, afirmou a psicóloga Luciana Leite.

Do calorão do Vale do Paraíba para as temperaturas negativas de...
Do calorão do Vale do Paraíba para as temperaturas negativas de Coalville, Utah.

Como funciona

Nos dias de hoje, o que não faltam são opções para que o jovem realize o sonho de fazer um intercâmbio. Na maioria dos programas oferecidos pelas agências e organizações, os adolescentes são recebidos em casas de famílias, as Host Families, que são cuidadosamente selecionadas, e passam a fazer parte do cotidiano da famílias e da comunidade, vivenciando uma rotina similar à dos adolescentes nativos. “A vivência com a família é importante porque você tem mais suporte e isso pode facilitar várias coisas, principalmente a adaptação”, ressaltou Marcela.

A duração desse modelo de intercâmbio varia de um semestre, cinco meses de aula, a um ano escolar, dez meses. Porém, para aqueles que se sentem inseguros de ficar um longo período fora do país, existe a opção de viajar durante as férias escolares para fazer cursos específicos em outras áreas, como moda, gastronomia, esportes, teatro, e/ou estudar a língua do país.

Marcela com a amiga...
Marcela na formatura da sua host sister, Mackenzie.

É válido lembrar que o ideal é que o planejamento dessa viagem seja um processo conjunto entre o jovem e seus responsáveis, com o possível auxílio de agências de viagem ou organizações sem fins lucrativos que promovem intercâmbios entre seus associados em diversos países. 

 O que levar em conta

Antes de qualquer coisa, os pais precisam confirmar o desejo do adolescente de fazer intercâmbio: o interesse deve ser do jovem e não somente dos pais. Outro fator que precisa ser levado em consideração é quão maduro o jovem é, pois ficar longe da família, conviver com estranhos, mudar de alimentação e de escola são processos que exigem maturidade para serem assimilados e transformados em uma experiência gratificante. Caso contrário, o adolescente pode ter sérios problemas para se adaptar.

Também é fundamental escolher uma boa empresa que ofereça suporte ao jovem durante todo o intercambio. Para isso, informe-se sobre cada pacote oferecido, sobre os itens inclusos e converse com quem já contratou os serviços desse tipo de agência, essa é uma boa forma de orientar a melhor a escolha. Outro fator importante é a família contar com o apoio de um psicólogo para que todos possam se preparar para desfrutar a experiência da melhor forma.

Marcela com os tradicionais armários das high schools americanas ao fundo.
Marcela com os tradicionais armários das high schools americanas ao fundo.

Na hora da escolha do destino, é importante considerar as condições climáticas e gastronômicas do país de interesse. Esses são fatores extremamente relevantes para uma boa adaptação, principalmente para nós, que vivemos em um país tropical. É preciso levar em conta, por exemplo, que por mais que seja legal brincar na neve, não é fácil conviver com ela por muito tempo quando se tem uma rotina de estudos para encarar.

Com relação a idade ideal para um adolescente realizar o sonho do intercâmbio, isso não existe. O importante é que a viagem aconteça em um momento em que o jovem esteja aberto e tenha maturidade e responsabilidade para enfrentar as mudanças e desfrutar dos aprendizados e descobertas que a experiência do intercâmbio é capaz de proporcionar.

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Autor desta Publicação
Rafaella Teixeira
Jornalista, fotógrafa e viajante. Além de viver com a mochila nas costas, gosta de esportes, cultura de qualquer parte do mundo, cinema e música.

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