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Sobre levar os filhos de bicicleta para a escola

De bike para a escola

Por Federica Fochesato

Voltaram as aulas! Basta reparar a cidade para perceber isso. No entanto, com um olhar um pouquinho mais aguçado, nota-se que tem gente indo para a escola de um jeito diferente, um jeito que anima a criançada. Não vão a pé, nem de van, ônibus ou muito menos carro. Vão é pedalando e curtindo o trajeto que se transforma num passeio. O pedal pode ser na própria bicicleta ou na cadeirinha instalada na magrela do pai ou da mãe.

levar os filhos de bicicleta para a escola - Pais em Apuros!
fonte: Big Bike Revival

A verdade é que num passado, em qualquer região da cidade, era mais comum ir de bike para a escola. Com as transformações da urbe e do trânsito – hoje bastante dominado pelos automóveis -, isso foi ficando mais restrito às periferias, visto que nelas o ir e vir de bicicleta ainda é uma alternativa bastante viável economicamente e, além do mais, muitos estudam bem perto de suas casas (logo, não precisam vencer longas distâncias).

levar os filhos de bicicleta para a escola - Pais em Apuros!
fonte: Big Bike Revival

Mas, como algumas cidades estão assistindo ao atual surgimento (ainda que tímido) de suas primeiras ciclovias e ciclofaixas, alguns pais e mães de regiões centrais vêm experienciando a pedalada rumo à escola junto a seus filhos.  E, de quebra, ainda, trocam com a cria olhares e sensações sobre a cidade, além de noções de comportamento em meio ao trânsito, desde cedo. 

Dessa forma, cidade e cidadania se misturam de um jeito dinâmico e, principalmente, divertido, pois é raro demais uma criança não sorrir enquanto pedala seja no quintal, na rua ou numa ciclovia.

João e seus mini ciclistas

Para João Carlos Rocha Campos, 47, professor e pai de três filhos, já é rotina o leva e traz da trupe rumo aos estudos, pelo menos três vezes por semana. O percurso de ida e volta soma cerca de 4 km ou até 6km, quando precisa passar em duas escolas.  Ele descreve que grande parte do pedal é coberto pela ciclovia da avenida 9 de Julho e outras do Jardim Esplanada, em São José dos Campos. Nos trechos em que não há ciclovia ou ciclofaixa, segundo ele, usam a calçada muitas vezes. No caso, o filho menor, Vicente, 3 anos, é transportado na cadeirinha instalada na bicicleta de Campos. Já Tomás, 9, e Francisco, 6, seguem em suas próprias bicicletas atentos às orientações e zelo do pai.

Quanto ao polêmico uso das calçadas, Campos explica: “o seu uso, ainda que inadequado por desrespeitar o espaço do pedestre, é um recurso extremo para garantir a segurança das crianças. Elas ainda estão aprendendo a se posicionar, a prestar atenção nos veículos, pedestres, sinalizações  e etc. Por isso temos que recorrer a elas”. Porém, ele completa com a seguinte reflexão que conduz à noção, já cedo, de cidadania e convivência entre os diferentes modais: “sobre a calçada, os meninos estão bem atentos à necessidade de interferir o mínimo possível no deslocamento dos pedestres, pedalando muito devagar, passando longe dos transeuntes, avisando sobre sua aproximação e agradecendo o espaço ‘emprestado’”.

Ele relata que, frequentemente, se desculpam com os pedestres pela “invasão do espaço”. Dessa forma quem está a pé não se sente ameaçado e muitos conseguem perceber a importância da experiência das crianças e apoiam essa prática.

Dica para uma primeira vez e emancipação

Àqueles que pretendem passar pela experiência, a dica unânime entre os pais e mães já experientes no assunto é o planejamento do trajeto. Isso pode ser feito num domingo, por exemplo, para se visualizar o espaço urbano com mais calma. Assim, variadas rotas – na maioria das vezes, diferentes daquelas feitas pelos veículos motorizados – podem ser testadas até se concluir qual é a mais confortável e mais segura. E, pouco a pouco, definida a rota e fazendo-a com certa frequência, os pais vão notar as tantas e ricas observações que as crianças fazem à medida que pedalam e interagem com a cidade. A interação pode ir da amizade feita com o pipoqueiro da esquina até aquele “oi” dado para aquele cachorro que late toda vez que passam em frente a uma determinada casa.

Pedal vem, pedal vai e, junto a isso, pode ser que a própria infraestrutura cicloviária cresça e a tolerância entre pedestres, motoristas e ciclistas também (é o que tanto se almeja!). Terá aumentado a idade da criança e a sua relação de responsabilidade junto ao trânsito. Logo, vai chegar a hora em que ela, sozinha – ou junto a amigos – poderá ir para a escola pedalando sem o olhar “colado” dos pais. 

Aguardem, em breve publicaremos um texto sobre a fase mais adequada para deixar os filhos irem sozinhos de bicicleta para a escola. E também como identificar se eles já têm a responsabilidade e habilidades necessárias para curtir essa autonomia ;D

Tá aí: é o brinquedo bicicleta ajudando também na própria emancipação dos filhos. Afinal, como tanto dizem adultos experientes, que adotaram de vez a bike como meio de transporte na urbe, “a bicicleta nos dá liberdade e autonomia, sobretudo”.

***

Autor desta Publicação
Pais em Apuros
Ser um espaço confiável e qualificado de ajuda aos pais na alucinante, maravilhosa e também muitas vezes insana aventura que é a criação dos filhos.

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