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O que fazer com aquele adolescente que apareceu na minha casa?

Adolescente: Como lidar? 

Pais de adolescentes em número expressivo se sentem inseguros quando os filhos começam a apresentar os primeiros sinais de afastamento do núcleo familiar. Há a fantasia de que algo de errado esteja acontecendo, no entanto se compreendermos um pouquinho do processo de socialização dos adolescentes esse pânico poderá ser minimizado.

A puberdade se refere às alterações biológicas sofridas pelo jovem como crescimento das mamas nas meninas e do pênis nos meninos, aparecimento de pelos e mudanças na voz, o que se conhece por caracteres sexuais secundários. Esse período é universal ou seja jovens independentemente da cultura passam por essas mudanças mais ou menos na mesma idade.

A adolescência se refere a alterações psicossociológicas o que significa mudanças psicológicas e sociais. Esse período é não universal ou seja é dependente da cultura onde o jovem está inserido. Jovens americanos se tornam independentes dos pais mais precocemente do que jovens brasileiros em função da cultura.

 Quem são esses jovens? Assista!

A turma

A turma de amigos representa um grande passo no sentido da socialização do adolescente na busca incessante de seu papel social no mundo. Desde muito cedo a criança gradativamente busca o seu grupo.

As relações que se estabelecem no princípio da vida escolar são de busca por atividades comuns como as tarefas escolares, os esportes, as brincadeiras na rua, no prédio ou no clube e é em função desses interesses que as crianças se aproximam se tornando colegas.

Pode-se concluir, portanto, que o coleguismo nasce para atender objetivos exteriores a partir de interesses por atividades comuns, já a amizade nasce na tentativa de aproximação entre os jovens para atender a um objetivo interior afetivo.

Enquanto para uma criança a escola, os colegas e a família são muito importantes, para um jovem adolescente sua “turma” gradativamente assume importância vital. Inserido no grupo de iguais o adolescente vive o que se chama “pertencimento”, ou seja, se sente acolhido por pessoas que passam pelo mesmo momento existencial.

Em casa ele começa a causar estranhamento nos pais em função das mudanças vividas, tanto em âmbito físico quanto comportamental. Na turma os adolescentes são uniformemente originais já que se comportam e sentem coisas semelhantes. Falam e fazem coisas semelhantes deixam-se conhecer e se reconhecem pelo estilo de vestir, falar ou comportar.

Essa busca pela identidade própria é muito saudável para que o jovem encontre seu modo de ser no mundo que não necessariamente será o modo de ser dos pais.

A turma à qual o jovem pertence pode fazer parte de sua vida futura. Nela troca experiências o que não faz em casa, pois ainda não é autossuficiente e precisa ter saciadas suas necessidades pelos pais.

Interessante observar que gradativamente se estabelece um vínculo de independência na turma e de dependência em casa. Alguns pais usam dessa dependência para “chantagear” os filhos a conseguir o comportamento desejado, um dos motivos de conflito na família.

A turma como qualquer outro grupamento social tem seus códigos e regras que cada membro deve cumprir. Quem não cumpre sofre uma diferenciação negativa o que faz com que o jovem se sinta desigual.

A família passa a observar a necessidade de ser “diferente” que o jovem transmite, no entanto quando está na “turma” cada um perde a sua individualidade para ser um anônimo no coletivo. Por vezes temos dificuldade em encontrar nossos filhos na saída da escola ou de uma festa já que todos se vestem e se comportam com muita semelhança.

No grupo o jovem vive o que se chama de universalização dos problemas, ou seja, o problema de um é o problema de todos; no grupo realizam compromissos ou aventuras que possivelmente não realizariam sozinhos.

adolescente - Pais em Apuros!
Um clássico da mãe de adolescente – “Você não é todo mundo”.

Efeitos colaterais da turma e como contorná-los

Pertencer a uma turma consome tempo do jovem o que pode causar uma diminuição de dedicação a outras atividades como escola ou mesmo em casa. Dessa forma é natural que ocorra rebaixamento do rendimento escolar em função de outras demanda. Esse é um ponto que causa grande preocupação nos pais.

É natural que os pais atribuam a baixa do rendimento à turma, no entanto o jovem está passando por muitas transformações e certamente pertencer ao grupo pode ser uma das causas da queda de rendimento porem não a única.

O fato de pertencer a um grupo (turma) faz com que os jovens se sintam mais fortes, questionando mais, perguntando mais e gradativamente passam a não permitir mais o livre acesso a suas vidas. Esse é o pânico dos pais! Trancam a porta do quarto, não curtem mais os encontros familiares, passam a ouvir músicas em som alto, não falam das paqueras, dos namoros, passam a ter segredos.

Aceitar essas mudanças facilita a participação dos pais na vida dos filhos. Falar francamente, admitir que quando jovem também cometeu erros, bem como falar de dúvidas e medos aproxima o jovem dos pais.

Aceitar os amigos dos filhos em casa é um bom sinal! Quando a presença dos pais não incomoda é melhor ainda, pois significa aceitação entre pais, filhos e a turma. A família não perde o jovem e ganha os amigos que certamente necessitam de um adulto para informar e trocar ideias.

Nessa consideração é importante que o jovem possa falar de suas experiências sem que os adultos queiram impor caminhos. O adolescente quer traçar seus caminhos ainda que para isso precise errar. Perguntar não significa sempre não saber o que quer. As perguntas e as respostas podem significar encontrar caminhos para enfrentar suas procuras.

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Autor desta Publicação
Margareth Anderáos
Três filhos e vó da Luara, Theo e do Thiago. Psicopedagoga com 20 anos de experiência clínica e institucional e com vivência em aconselhamento de pais.

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